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terça-feira, 7 de abril de 2015

A Saga de Um Cartunista na Terra de Ziraldo



 Edição especial "20 anos do Diário de Caratinga".
Matéria publicada no dia 21 de março de 2015.

Cartunista Edra fala de sua ligação 
com o Diário de Caratinga.

"Minha história com o Diário de Caratinga é um capítulo muito significativo na minha vida e muito importante profissionalmente por vários aspectos. 
Conseguir o respeito e admiração pelo seu trabalho justamente onde também nasceu Ziraldo, um caratinguense dos mais ilustres e um ícone entre todos nós cartunistas, convenhamos, não é uma tarefa das mais fáceis. 
Fazer charge numa cidade do interior, onde os fatos e as pessoas estão estreitamente interligadas, nas ruas, em todas atividades profissionais e sociais convenhamos é bem complicado. 
Mas foi exatamente este um dos fatores primordiais para que eu aceitasse este desafio, com o propósito de ter uma atuação de cidadania mais acentuada na cidade onde nasci e que muito amo. 
E foi justamente num dos momentos mais dramáticos que se abateu em nossa cidade, nas enchentes de 2003 e 2004 foi a minha retomada aqui no Diário, ( antes, em 1997, fiz charges quando ainda era Diário do Aço/Caratinga que originou o livro “Bagunçaram o Meu Coreto) quando completei um ciclo de dez anos totalizando mais de 2000 charges abordando os mais variados temas, desde os mais amenos, passando pela rivalidade dos atleticanos e cruzeiros até aos acontecimentos mais polêmicos. 
Para registrar esta saga fiz uma exposição comemorativa na Casa Ziraldo de Cultura, no Casarão das Artes e lancei simultaneamente cinco livros numa coletânea completa das charges publicadas nestes 10 anos. 
Acredito que o fruto desta parceria de muito valeu para a nossa cidade e que será um marco importante na história da nossa comunicação. 
Dei uma pausa providencial e depois de dois anos estou de volta, com todo vapor, às páginas do Diário de Caratinga justamente quando este conceituado jornal atinge a expressiva marca de 20 anos de circulação, com credibilidade e cada vez mais inserido no contexto geral de nossa cidade e dos costumes de nossa gente. Deixo aqui os meus calorosos parabéns, indistintamente, à toda equipe do Diário de Caratinga, da qual, com orgulho e felicidade posso dizer que faço parte, com os meus simples traços e uma pitada de humor necessária para amenizar um pouco a pegada do nosso cotidiano".

domingo, 21 de dezembro de 2014

Edra, Um Incentivador da Cultura

Auto caricatura

Élcio Danilo Russo Amorim. Esse é o nome de um caratinguense que fez e ainda faz muito pela cultura. 
Edra, como é conhecido, iniciou como desenhista arquitetônico. É cartunista, designer gráfico, produtor cultural e editor. Também é diretor da Casa Ziraldo de Cultura, espaço que tem papel fundamental na descoberta de novos talentos da cidade. 
Nesta entrevista ao Diário de Caratinga, ele conta um pouco do início de sua carreira e de alguns episódios que marcaram a sua vida profissional. 
E claro, ele não deixa de citar o ilustre caratinguense Ziraldo Alves Pinto, a quem chama de ídolo.

Entrevista Diário de Caratinga - Introdução

sábado, 20 de dezembro de 2014

Quando Você Começou a se Interessar por Charges, Quadrinhos? Quem te Influenciou?

Comecei acompanhar o trabalho do Laerte na Revista Placar

- Quando criança gostava muito de desenhar, o que é natural nesta fase. Sempre me destaquei em sala de aula, não só pelos desenhos, mas também pela minha habilidade manual, o que acabava me levando a fazer os trabalhos dos meus colegas também. 
O meu interesse pela ilustração, mais precisamente pelas charges e cartuns, se deu por meio dos livros. Durante a infância, adorava ler a “Revista Recreio” (mais do que revistas em quadrinhos), que além de passatempos interessantes que estimulavam a criatividade, trazia também textos de autores conceituados da literatura infantil e belas ilustrações. 
Tinha o hábito de ler jornais e quando me deparava com as charges, achava engraçado, e ao mesmo tempo, muito interessante pelas mensagens que transmitiam. 
Sempre ligado em futebol não saía das bancas de revistas para comprar o “Jornal dos Sports” e a “Revista Placar” que estampavam, em sua última página, charges e tirinhas do genial Laerte que, ao contrário do que muita gente imagina, foi ele, antes do Ziraldo, que despertou em mim a curiosidade pelo universo das charges, me influenciando diretamente. 
Ali eu me deparei com três paixões que me moviam: o desenho, o futebol e o humor. Despertei para o assunto e comecei a criar e rabiscar os meus primeiros desenhos de humor. 
Por ser muito tímido e inseguro, não mostrava para ninguém e engavetava todos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Quando Esta Habilidade Para o Desenho Começou a se Tornar Sua Profissão de Fato?

No primeiro emprego, como desenhista arquitetônico.

- Comecei a trabalhar aos 15 anos como desenhista arquitetônico. Esse trabalho me deu conhecimento de perspectiva, ângulos e tal. Aos dezoito anos, meu primeiro desenho foi publicado por uma revista "Personal Humor" de Curitiba em troca de uns trocados como colaborador. 
No mesmo ano, tive um desenho selecionado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Isto foi me dando segurança e a sensação que eu levava realmente jeito pra coisa. 
Em 1980, morando em Brasília e ainda trabalhando com desenho arquitetônico, resolvi ir de encontro ao meu grande sonho. Precisei enfrentar minha timidez peculiar e, com minha pasta de desenhos debaixo do braço, fui até o jornal “Correio Braziliense”
Assim que o editor deu as primeiras foleadas começou a rir e a mostrar para os colegas de redação, depois virou pra mim e disse: “quer começar amanhã?”. 
Abri mão de uma profissão segura e rentável na época e fui, literalmente, com todo risco, trilhar um novo caminho.

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 4

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Quando e Como Foi o Seu Primeiro Contato com Ziraldo?

Ziraldo: ídolo e parceiro em vários projetos

- Meu primeiro contato com Ziraldo foi em 1977, no aniversário de 70 anos do pai dele, o Sr. Geraldo Alves Pinto (que hoje dá o nome a rua onde moro), comemorado aqui em Caratinga. 
Na ocasião, tremendo da cabeça aos pés, mostrei a ele a pasta com os meus desenhos que estavam engavetados há uns quatro anos. Tempos depois, em 1998, já profissional, pedi a ele um prefácio para o meu livro de cartuns “Se Rir, Eu Choro”. Ele nem sabia mais quem eu era, mas conheceu e gostou do meu trabalho. 
Depois de uns quatro meses de telefonemas, recebi o prefácio com um belo texto, por coincidência, no dia do meu aniversário. Mas nossa aproximação foi demorada. 
Dois anos depois, ele voltou a me atender em outro pedido, criando o cartaz do 3º Salão de Humor de Caratinga e mesmo sendo convidado desde a primeira vez, só marcou presença, finalmente, na 6ª edição, em 2004, quando voltou a assinar o cartaz do evento, e na sequência desenhou também os do sétimo e oitavo salão. O Salão virou referência internacional entre os cartunistas e por onde andava, o Ziraldo ouvia elogios, inclusive na China. 
Em 2006, num encontro que tivemos em Brasília, ele se aproximou de mim, fez a maior festa e bem ao seu jeitão gritou: "este menino é doido! Ele realiza em Caratinga, um Salão Interrrrrrrrnacional de Humor que é uma maravilha!" Daí, veio a pergunta: “quantos cartazes já fiz para o Salão?”. Quatro, respondi. Ele colocou a mão sobre os meus ombros e disse: “pois agora quero desenhar todos daqui pra frente, até eu morrer! Respondi de bate pronto: “vida longa pra você, meu mestre!”. 
Com o passar dos anos, cresceu a nossa amizade, a confiança e fizemos muitas parcerias em edições de revistas, jornais, culminando na edição do livro “Ninguém Segura Caratinga”, amplamente divulgado em suas entrevistas, concedidas nos programas do Jô Soares, Leda Nagle e Amaury Júnior e lançado com sucesso em Brasília, Rio e São Paulo. Assim chegamos até a criação da Casa Ziraldo de Cultura.

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 5

Em Brasília, falando sobre a criação de um
salão de humor em Caratinga

Na casa do ídolo, vendo o jogo do Flamengo e o
presenteando com seu livro e uma caricatura.

Uma honra ser amigo do mestre

Parceria no livro "Ninguém Segura Caratinga"

Com cartunistas na inauguração da Casa Ziraldo de Cultura

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Você tem uma história com o Diário de Caratinga. Como foi o começo deste trabalho para o jornal?

Exposição itinerante "10 anos de charges /  Diário de Caratinga".

Durante muito tempo as suas charges 
foram destaques nas capas do impresso.  

- Minha história com o Diário de Caratinga é um capítulo muito significativo em minha vida profissional e tem um valor pessoal muito importante por vários aspectos. 
Fazer charge numa cidade do interior, onde os fatos e as pessoas estão estreitamente interligados, seja nas ruas, atividades profissionais ou sociais, não é nada fácil. 
Porém foi este um dos fatores primordiais para que eu aceitasse este desafio. O propósito era ter uma atuação cidadã mais acentuada na cidade onde nasci e que tanto amo. 
Foi justamente num dos momentos mais dramáticos da nossa cidade (as enchentes de 2003 e 2004) que voltei a desenhar para o Diário. Antes, em 1997, fiz charges quando ainda era Diário do Aço/Caratinga, que originou o livro “Bagunçaram o Meu Coreto”. Quando completei dez anos no jornal, tinha feito mais de 2000 charges que abordavam os mais variados temas, desde os mais amenos, passando pela rivalidade entre os atleticanos e cruzeirenses, até os acontecimentos mais polêmicos. 
O fruto desta parceria foi registrado com a edição de cinco livros de charges que considero um marco importante na história da nossa comunicação e da minha vida também!

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 7

10 anos de charges foram registradas em cinco livros.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Sendo Você o Fundador da Casa Ziraldo de Cultura, Qual a Sua Avaliação Deste Espaço Cultural em Caratinga?

Fachada da Casa Ziraldo de Cultura,
fundada em 27 de novembro de 2009.

 - Um divisor de águas. Embora, ainda esteja funcionado, desde sua fundação, com apenas 30% das ações pensadas em sua concepção, a Casa Ziraldo de Cultura vem cumprido o seu papel, impulsionando a vida cultural em nossa cidade e estimulando novos talentos e valores culturais, por meio de atividades artísticas dos mais variados segmentos. 
Outro ponto de destaque é o resgate de nossa história. A Casa Ziraldo de Cultura é palco de homenagens para aqueles que deram sua contribuição, deixando um rico legado para o cenário cultural caratinguense. Já contabilizamos mais de 300 eventos, então, basta imaginar que se não tivéssemos conquistado esta estrutura, muitos deles não poderiam ter sido realizados. 
Muitos artistas queriam realizar alguma atividade e não conseguiam um espaço adequado, outros foram estimulados a colocar pra fora a sua capacidade criativa a partir do momento que passaram a adquirir este respaldo. 
Um espaço democrático, um ideal coletivo. Ali é a casa de todos os artistas e agentes culturais de Caratinga, consagrados ou não; iniciantes e aprendizes de todas as manifestações artísticas, sem nenhum ônus, tanto para quem se apresenta quanto para o público visitante. 
Um espaço privilegiado que possibilita o acesso de todos, o que é, sem dúvida, muito importante. Portanto, a Casa Ziraldo é hoje uma das vertentes que impulsiona a evolução de nossa cidade, não tão somente na parte cultural, mas também no social, no turismo, servindo ainda, de referência para criações de outros espaços, o que é muito salutar. 
Neste ano completamos cinco anos de fundação. Agradeço ao prefeito Marco Antônio por estar à frente deste trabalho novamente, mantendo em mim, a esperança, de que terei todo o apoio necessário para o funcionamento em sua plenitude conceitual, conforme foi idealizado e implementação de várias atração culturais para a nossa cidade.

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 8

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Como Surgiu o Salão de Humor de Caratinga?

Salão Internacional de Humor de Caratinga
 O mais importante em Minas. Entre os principais do país.

- Já cartunista profissional, em Brasília, participando de vários salões de humor no Brasil e exterior, idealizei um salão de humor em Caratinga, mesmo sem ter conhecido nenhum pessoalmente. Não tinha a menor ideia da dinâmica deste evento. 
Contudo o nosso salão de humor começou grande, tanto pela quantidade, quanto pela qualidade dos trabalhos recebidos, com inscrições de artistas de 45 países, atraídos pela oportunidade de participar de um salão, justamente na terra onde nasceu Ziraldo, um ícone dos cartunistas, uma das maiores referência do desenho de humor mundial. 
O primeiro salão de humor foi realizado no 150º aniversário de Caratinga, em 1998. Mais tarde, instituí o “Troféu Pererê” para que o evento fosse uma homenagem perene ao Ziraldo, o que ajudou a projetar o nome da nossa cidade, por meio de sua criatividade e pelo talento dos seus traços. 
Pela organização e credibilidade adquirida ao longo de doze edições realizadas, o Salão Internacional de Humor de Caratinga é o principal do nosso estado e está entre os cinco maiores do Brasil.

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 9

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Qual é a Importância dos Salões de Humor Para o Chargista?

Exposição no Salão Internacional de Humor de Caratinga

- Ao expor os trabalhos originais dos artistas, o Salão de Humor se transforma num palco, (ou seria picadeiro?..rss), servindo de vitrine para novos talentos, proporcionando a eles a oportunidade conhecer variadas técnicas e estilos de artistas brasileiros e do exterior, além de promover o encontro entre os cartunistas consagrados. 
Abre importantes canais de comunicação aos amantes desta arte e com o público participante, especialmente aos que não tem acesso aos grandes jornais, revistas e livros ou até mesmo aos que não tem o hábito da leitura. 
A resposta do público é enorme, pelo fato do humor ter uma linguagem universal e pelo grande fascínio que a beleza plástica do desenho exerce nas pessoas, criando um apelo a mensagem que cada artista procura passar. 
Durante a realização do evento, a cidade e região se mobilizam para visitar, discutir e refletir sobre os trabalhos expostos. Eles representam a visão de artistas de todas as partes do mundo sobre os mais variados temas, como: meio ambiente, fome, desigualdade social, violência, política, guerra, racismo, entre outros. 
Todas as pessoas que visitam o salão saem de lá tocadas, ninguém fica indiferente, o que torna ainda mais gratificante a realização de um evento desta natureza. 
Uma forma de fomentar a cultura, levando às pessoas informação, consciência social e diversão por meio do entretenimento, estimulando também, o contato entre autores, público e afins.

Entrevista Diário de Caratinga / Parte 10

Grandes nomes do cartum mineiro recebem as boas vindas

Apresentação da corporação musical Banda Santa Cecília

O Salão de Humor sempre recebe um grande público.

Que ficam fascinados com os desenhos expostos

Tenda montada na praça central da cidade de Caratinga

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Qual é o Grande Problema que o Chargista Enfrenta?

Charge publicada no Diário de Caratinga

- Financeiro....(risos). Por enfrentar um mercado de trabalho muito restrito que basicamente se restringe às páginas editorias dos jornais. Quando um chargista assume este espaço geralmente ele o ocupa por décadas, impossibilitando uma oportunidade a um outro artista.Isto nos grandes centros, imagina nos jornais do interior?
Morei em Brasíla no fim da década de oitenta até a final de noventa. De lá pra cá, pode se contar nos dedos os chargistas que atuaram nesta a´rea nos dois diários da cidade: Gougon e Lane (Jornal de Brasília); Lopes, Kácio e atualmente Cícero (Correio Braziliense).
Para aproveitar o gancho da pergunta vou complementar minha resposta com uma revelação. Pode parecer estranho, mas a atividade que menos exerci ao longo desta minha trajetória foi a de desenhar. Deus me deu o dom, tenho a mão boa, mas acho que poderia desenvolver mais o talento e obter mais sucesso como cartunista, se me dedicasse mais a arte de desenhar. 
Ao contrário dos artistas que vivem exclusivamente de seus traços e que entram numa redação, agência ou em seu próprio estúdio e passam ali oito horas ou mais, apenas criando, desenhando e pintando, eu segmentei minha profissão diagramando, editando, criando logomarcas, sendo dono de loja de roupas infantil, de gráfica, produzindo catálogo telefônico, vendendo brindes, fazendo propaganda e, na minha agitação cultural, fundei blocos de carnaval, promovi mais um tanto de eventos, e foram muitos anos de luta e horas de sono perdidos para realizar doze salões de humor e criar a Casa Ziraldo de Cultura. 
Nesta miscelânea, para poder unir uma atividade às outras, não me sobrava muito tempo para me dedicar à prancheta e sempre fiz as charges a toque de caixa, sem muitas elucubrações, com desenhos toscos e sem burilar as ideias.

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 11

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pra Quem Você Daria Destaque no Cenário Nacional de Cartuns?

Ziraldo, Maurício de Souza, Angeli, Laerte e Dálcio Machado

- Além do Ziraldo, é claro, destaco o Maurício de Souza, pela representatividade de sua obra no mercado editorial de quadrinhos. Hoje, pelo contato que tenho com praticamente todos os artistas desta área no país e pelo conhecimento que tenho do grande talento de todos eles, formaria uma fantástica seleção com feras das antigas e atual geração que faço representar aqui, pelos geniais e meus ídolos: Angeli, Laerte e Dálcio Machado. 

Tem algum tipo de piada que você não faz de jeito nenhum? 
- Sim, inúmeras. 

Atualmente, existe algum tipo de censura? 
- O tempo todo e maquiada de várias formas. O Brasil vive uma “falsa liberdade” e, não por acaso, sempre nos deparamos com um tipo de censura e, quando isso acontece, a charge é um dos primeiros alvos. Pela sua facilidade de entendimento e apelo visual, a charge consegue um alcance, ás vezes, maior que uma matéria, por isso ela é temida.

Entrevista Diário de Caratinga / Partes 12, 13 e 14

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sua exoneração da Casa Ziraldo de Cultura em 2012 rendeu charges de seus amigos cartunistas.

Samuca / PE 

Como foi ver a inversão de papéis, com você sendo o “personagem principal” das charges? 

- A charge é uma sátira, ou seja, uma maneira de criticar ou se opor aos acontecimentos ou pessoas. A minha exoneração aconteceu de forma desrespeitosa, diria até, covarde! Faltaram, com o respeito não somente a mim, mas, sobretudo ao trabalho ali realizado; o que a Casa Ziraldo de Cultura representa pra nossa comunidade e ao homenageado, que dá ao nome aquele espaço. 
Um ato sem razão de ser, movido por interesses meramente políticos. Porém, o fato instigou a revolta de cartunistas brasileiros e do exterior, que assim como eu e meus conterrâneos, ficaram perplexos com a notícia. 
Iniciou-se assim, um manifesto a favor da cultura e do trabalho realizado por mim frente a Casa de Cultura Ziraldo, através de charges de cartunistas (aos quais sou muito grato) convocados pela Associação de Cartunistas do Brasil, capitaneado pelo cartunista Jal. A indignação se espalhou e foi reproduzida em sites e publicações em vários países. Isso amenizou um pouco a minha decepção e tristeza. 
Então, ao contrário de outros “personagens” abordados em charges por ações desabonadoras, me senti confortado, recebendo tantas manifestações de apoio. Vale recordar que contei também com o carinho dos caratinguenses, tanto nas redes sociais, telefonemas como nas ruas quando me abraçavam e me davam palavras de apoio. 

Entrevista Diário de Caratinga - Parte 15

Bira Dantas - Campinas / SP

Iéio - São Carlos do Pinhal / SP

Jal / São Paulo

Manga / São Paulo

Milton - São Paulo

Samuel Bono / São Paulo

Siqueira / São Paulo

Verde / São Paulo

Vinícius Ferraz / São Paulo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Mas Sua Atividade não se Resume a Charge. Sua Atividade Cultural em Nossa Cidade é Intensa.



Oficinas e palestras em Caratinga e região.

- Verdade. Tenho no currículo um leque de realizações. Sempre tive muita iniciativa para promover coisas novas. 
Ainda bem garoto, eu montava um circo no quintal de casa e organizava campeonatos de futebol. 
Aos 17 anos, realizei cinco campeonatos de futebol de botão com regras e mesas oficiais, além da edição de um jornalzinho com as notícias das partidas.
Fui editor fundador do Jornal “A Semana” e da revistinha infantil “O Pimpolho”. 
Participei ativamente da efervescência dos nossos carnavais na década de 80 como carnavalesco, compositor e mestre-sala do bloco “Doidim Paquerê” e com a “Banda Alô Mamãe”. 
De lá pra cá, foram centenas de trabalhos. Atualmente, conciliando com as que ações que promovo na Casa Ziraldo de Cultura, faço outras independentes, como o “I Encontro de Carros Antigos de Caratinga”, realizado com muito sucesso recentemente.
Somam se aqui, publicações na mídia nacional, as minhas andanças Brasil afora com meus trabalhos, oficinas, palestras, exposições e livros. 

Entrevista Diário de Caratinga - Pergunta 14

Encontro de Carros Antigos de Caratinga

Participação ativa no carnaval caratinguense

Criação da Casa Ziraldo de Cultura

Realização do Salão Internacional de Humor de Caratinga

Edição e publicação de vários livros, revistas e jornais

Exposições e lançamentos de livros

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Que o Edra Ainda Quer Realizar Daqui pra Frente?

Ilustração extraída da "Cartilha do Eleitor"

- A gente sempre pode realizar mais! Tenho muitos planos para o futuro. É uma pena que a cultura, a arte, o artista não sejam valorizados em nosso país. 
Não bastasse a falta de incentivo, ainda temos que lidar com muitos obstáculos. É necessário que alguns segmentos de nossa sociedade enxerguem, não só o trabalho realizado até aqui, como também, este personagem que vos fala, com outras lentes. 
O potencial do artista não se restringe a arte. 
Mesmo alcançando sucesso no que me proponho, mesmo com toda credibilidade adquirida ao longo de tantos projetos importantes, certas pessoas insistem em não enxergar o lado empreendedor, a capacidade de gerenciamento, poder de aglutinação e visão. 
Nós, artistas, queremos contribuir, participar das decisões e discussões que interferem na vida de todos. Somos, antes de tudo, cidadãos. Não sou eu, o único a perder com essa visão míope. Perdemos todos! Boa parte das coisas que realizo hoje, estavam em meus planos desde garoto. Eu ficava ansioso para ganhar mais idade para poder colocá-los em prática. 
Hoje lamento que, com um turbilhão de planos ainda na minha mente, o tempo já não esteja mais a meu favor. O desejo de realizar muitos outros projetos que estão no meu velho caderno de anotações, continua. Mas confesso, às vezes, dá vontade de chutar o balde e tomar outro rumo.

Entrevista ao Diário de Caratinga - Pergunta 15

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

10 Anos de Charges / Diário de Caratinga: Com a Palavra: José Carlos Cerqueira

José Carlos Cerqueira
Rádio Cidade


Conheci o EDRA quando ele ainda era o Danilinho. Élcio Danilo Russo Amorim (pra os menos atentos, as iniciais formam o nome que se tornou marca na nossa cultura contemporânea).

Somos crias da “República da São José”, como costuma se ufanar outra figura eminente do trecho, Francisco Antonio Rocha, o Chicão contador, saudosista como eu dos tempos em que a atual Avenida Moacyr de Mattos se chamava São José e era dividida e dois “feudos” bem distintos: Rua de Cima e Rua de Baixo. O ponto de encontro era nas imediações do Grupo Espírita Dias da Cruz, área ecumênica que abrigava também o Mosteiro das Irmãs...

Ali, dentre outros estabelecimentos, havia a sapataria do Elói Restori, o bar do Sr. Antonio Schetino, a escola A BARCA e, durante algum tempo, o bar do Sr. Amorim, pai do EDRA. Nossa convivência maior foi lá, e também no infanto juvenil do Esporte Clube Caratinga, onde fizemos algumas incursões (eu como ponta direita e ele como ponta esquerda) mais pela amizade com o Elói que propriamente pelo nosso talento

Depois disso veio a vida. E cada um seguiu seu rumo. Aliás, ELE seguiu. Eu fiquei, tentando fazer imprensa por aqui. Ele foi e voltou grande. Virou EDRA. Trouxe experiência, conhecimento, misturou com seu talento e nos brindou com uma convivência criativa que teve repercussão aqui, no Brasil e no mundo.

Uma curiosidade: o Danilinho era muito calado. Não falava muito. Agora entendi. Sua maneira de dizer as coisas seria bem mais elaborada que a nossa. Nada de muita conversa, ou muito texto. Sua arte com os traços é muito mais eloqüente. É brilhante.

Obrigado EDRA, (ou Danilinho) por sua obra, por ter nos inserido num contexto maior com seus traços, por suas iniciativas pela cultura, e por não se esquecer dos amigos de infância. Um abraço.


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

10 Anos de Charges / Diário de Caratinga. Com a Palavra: Valter Oliveira Costa

Valter Oliveira Costa.
Editor do Diário das Gerais

Tinta e sangue

Viver uma década parece fácil para muitos. Porém, pouca gente ao final da década faz um balanço do que foram 10 anos nesta terra, cheia de contradições e eventos, por hora, trágicos, outrora, celebrados.
Como este momento de reflexão em que o caratinguense Edra se propõe. Dez anos rabiscando a cara da sociedade, fazendo caber na ponta do pincel a face branca, negra e ás vezes oculta da Terra das Palmeiras.
E como é sábia essa mente que parece condensar num curto espaço entre cores diversas, uma vastidão de sentimentos. Doa a quem doer, haja o que houver, lá está ele, disposto a traçar o presente entrelaçado ao passado mirando o futuro, que há de vir colorido, belo, resistente e puramente humano. Na veia do artista corre tinta e em seu lápis, um sangue vivo, que só brota no coração dos homens, que é santo e que vem de Deus.
Parabéns Edra! Sempre em frente!
Abraços, do amigo.



segunda-feira, 30 de julho de 2012

10 Anos de Charges / Diário de Caratinga. Com a Palavra: Eugênio Maria Gomes

(*)Eugênio Maria Gomes 

A charge figura, sem nenhuma dúvida, na relação das mais atrativas formas de comunicação utilizadas pelo ser humano. Através dela, é possível apresentar, analisar e conhecer uma determinada realidade, em linguagem carregada de sátira e de humor.
            Além disso, a charge – termo proveniente do francês charger e que está relacionado ao exagero -, tem em seu cerne a crítica em ralação a alguma coisa ou a situações, de forma elaborada, via de regra exagerada e carregada de humor, possibilitando a compreensão histórica da sociedade e de seu posicionamento em um determinado período de tempo.
            E é exatamente nesse contexto, com esse entendimento da importância de uma boa charge, que visualizo o trabalho realizado pelo nosso cartunista Elcio Danilo Russo Amorim, o EDRA, nessa coletânea de 2003 a 2012, onde o artista apresenta uma radiografia bem humorada da nossa sociedade e dos fatos que nos marcaram nos últimos anos.
            Que tal a charge apresentando uma panela de pressão, em funcionamento, ostentando a logomarca da Câmara Municipal? Ou, então, o bico da mangueira de uma bomba de gasolina onde se lê “É um assalto”? Ou, ainda, as suas alusões ao nosso caótico trânsito?
            EDRA consegue, de uma maneira muito bem humorada e competente, retratar as mazelas sociais e políticas, valorizar as boas ações e, inclusive, propor melhorias nos serviços públicos e privados, no modo como as coisas são feitas e até no estabelecimento de um padrão ético de comportamento.
O mais legal disso tudo é que o seu trabalho é capaz de resgatar fatos e acontecimentos, de reavivar a nossa memória para assuntos que, tratados pela linguagem usual, comum, as informações costumam se perder no tempo.
EDRA é um artista que detém as melhores qualidades que se espera de um chargista, sendo portador de um humor refinado, antenado com os fatos mais importantes do nosso cotidiano, criativo, hábil, conhecedor da arte com a qual nos brinda, além de ser um artista de atitude. EDRA é o nosso orgulho na charge nacional, já me tendo concedido a honra de participar de um dos meus livros da série Radiografias do Cotidiano.
Parabéns ao EDRA, parabéns à Charge brasileira. 

Eugênio Maria Gomes(*) DSc. Eugênio Maria Gomes Professor do UNEC e V.M. da A.R.L.S. Obreiros de Caratinga.
Professor do UNEC e V.M. da A.R.L.S. Obreiros de Caratinga

segunda-feira, 23 de julho de 2012

10 Anos de Charges / Diário de Caratinga. Com a Palavra: Edilson Rodrigues

Edilson Rodrigues
Editor de A Semana


 O Edra possui a capacidade de, através de suas charges, fazer uma análise precisa dos principais temas do momento e, com maestria, isso acontece no tempo certo e na dose certa, qualidades peculiares, apenas, aos chargistas de primeira linha, grupo ao qual ele faz parte.
Como poucos, sabe usar sua “pena”, o que faz com ironia precisa, sem carregar na mão, sem borrar a tela, conseguindo dar à crítica o tom exato, alcançando o alvo almejado com pontaria precisa e eficaz, não deixando, jamais, de transmitir sua mensagem, aliás, principal objetivo do uso de seu inquestionável talento, fazendo com que as pessoas não fiquem omissas diante de suas imagens.
Como todo artista, Edra coleciona muitos amigos e, também, muitos inimigos, afinal de contas, geralmente, as pessoas não estão preparadas para receber críticas, mesmo sendo justas e merecidas. Porém, amigos e inimigos não podem deixar de observar seu talento.
Edra é um artista fértil e competente, para o qual a possibilidade de ser versátil e criativo na exploração de um mesmo tema é algo fácil, como aconteceu na ampla abordagem feita sob o tema “Enchente em Caratinga”, que rendeu uma exposição itinerante pelos bares da cidade, quando o problema foi apresentado não somente com ironia, mas, também, com forte apelo social, chamando a atenção da sociedade para debater com a seriedade necessária a questão, numa forma de buscar medidas para solucionar ou amenizar o risco de novas catástrofes.
Aliás, as charges de Edra, ao estamparem duras realidades do cotidiano de Caratinga, independentemente do que pensam os contrários, tem prestado importante serviço à sociedade, levando as autoridades e o cidadão comum a refletirem sobre pontos que muitos gostariam que fossem varridos “para baixo do tapete”.
Está certo que possam levantar suspeição sobre minha humilde e modesta opinião, afinal eu sou fã, mas, não seria justo nem correto, de minha parte, deixar de declarar que Elcio Danilo Russo Amorim tem cumprido com sua missão, em não se omitir e apresentar suas críticas (de forma tão hilária e irônica), fazendo uso do talento e do dom que Deus lhe deu.
Acredito que possa comentar o trabalho de Edra, através de suas charges publicadas pelo jornal Diário de Caratinga, pelo fato de, dos 10 anos que estão sendo completados, pude acompanhá-lo nos últimos 09 anos, esperando poder estar vivo para, se convidado for, poder fazer novos comentários, quando ele comemorar suas segundas e terceiras décadas neste nobre ofício.
Parabéns, Edra! Você é gênio!




segunda-feira, 9 de julho de 2012

10 Anos de Charges/Diário de Caratinga. Com a Palavra: Beto de Souza

Beto de Souza - SISTEC

Ninguém faz sucesso durante uma década a toa. Para alcançar reconhecimento durante um período tão expressivo, tem que ser mesmo artista. E Edra é artista na verdadeira concepção da palavra, com uma produção única, pessoal e intransferível. A marca Edra, sem dúvida, está nas charges por ele criadas. Algumas, para nossa felicidade, são publicadas no Diário de Caratinga.  Nelas, podemos notar, sem nenhum esforço, o talento, a criatividade, a irreverência, a originalidade de um verdadeiro mestre do humor. E, também, o traço com DNA próprio, que apreciamos sem saber exatamente o motivo; intuitivamente, vemos a arte ali impressa, a força da mensagem competentemente repassada, o desenho com a exata noção de tempo/lugar.
  Com Edra, aquela velha piada do tal sujeito que é o melhor da cidade em sua função – mas também, pudera, é o único que faz aquilo no tal lugar – não funciona. Se outros mil chargistas existissem na Cidade das Palmeiras, Edra, sem nenhuma dúvida, continuaria a brilhar destacadamente. Edra é o chargista da pegada certa, com uma qualidade adicional: sabe escolher como ninguém os temas para seus trabalhos. Como os melhores artistas do humor, nos faz rir até de nossas desgraças. Com sutileza, argúcia e, é claro, talento diferenciado, Edra às vezes toca nos assuntos mais delicados sem nos ofender e, o principal, faz-nos rir (muito) com eles. Baixaria não é com ele. Refinamento, sim.
  Outra coisa chama a atenção em Edra. Com a capacidade que tem, poderia estar brilhando em outras paragens mais cosmopolitas. Quem duvida de que ele tenha bagagem para ser sucesso em qualquer outro lugar do Brasil? Mas, como é moço, além de inteligente, sensível, Edra deve ter escolhido ficar por aqui para não perder o calor, o respeito e a afetividade que sente tão de perto, vinda de familiares, amigos e até anônimos. E, além do mais, aqui ele terá sempre muito material para trabalhar: quem discorda de que Caratinga oferece farta matéria prima para charges?   
    Não deve ser fácil ser Edra. Carrega com ele a responsabilidade de ser um dos representantes maiores do nosso humor. E, como se não bastasse, ainda tomou para si a responsabilidade de ajudar a promover a cultura na cidade. A Casa Ziraldo de Cultura não surgiu de um passe de mágica, mas do ideal e da capacidade de mobilização de Edra. A mesma capacidade que tornou o Salão do Humor de Caratinga, outra criação dele, um esplêndido exemplo de que as coisas só podem dar certo quando se colocam nelas força de vontade, conhecimento e, mais uma vez, agora e sempre, talento. Ao completar dez anos de atuação como chargista do Diário de Caratinga, brindando-nos com os mais inspirados e inteligentes trabalhos, Edra merece mais que aplausos. Merece o nosso muito obrigado reverente, vibrante e cheio de admiração.  
 Viva o Edra!
P.S. Edra, sinto uma imensa inveja boa por não saber riscar nem um traço sequer. Se você abrir uma escola para aspirantes a desenhistas sou o primeiro da turma. Hehe... Por enquanto me resta continuar apreciando seu trabalho.
Saudações

segunda-feira, 2 de julho de 2012

10 Anos de Charges/Diário de Caratinga. Com a Palavra: Raquel Borsari

Raquel Borsari


Um convite irrecusável ao humor, à reflexão de temas atuais na visão de um artista antenado ao mundo de intenso movimento ao seu redor. A arte de Edra é indescritível, assim como os traços envolventes de sua obra.

Um brilhante trabalho exercido com empenho, criatividade e de forma ímpar conquista um público heterogêneo.  Humor competente, comprometido com o factual, a famosa crítica construtiva, sensata, de fácil acesso e entendimento.
Explicitar sobre a sua obra é compartilhar a sensação única provocada em cada olhar, em cada análise e deixar transpor a admiração de um contexto rico em conteúdo. Eis a expressão de uma mente brilhante.
            Arte e artista, a mistura fascinante e surpreendente de Edra e sua criação. Trabalho envolvente e necessário, a visão bem humorada de um personagem denominado como cotidiano. Impossível é não admirar o trabalho de hoje e esperar com ansiedade o de amanhã. Já se passaram dez anos e o sucesso é o reconhecimento ao seu talento, à arte peculiar do incrível Edra.